domingo, 19 de outubro de 2014

Do lado de cá...




Sonhei outra noite com um amor, daqueles que fazem os olhos brilhar e o coração bater mais forte.
Amor com aroma de café.
Daqueles que nos fazem ter medo de nos queimar.
A vida tem passado tão rápido e tem seguido por caminhos muitos diferentes daqueles que imaginei.

Eu sei, às vezes esperamos demais do outro.
É muito difícil perceber que depois do "Felizes para Sempre" há vida.
Há muita vida.
E aí o conto de fadas acaba.

É complicado demais ser dois, sendo um. Querer do outro o que ele não é capaz de oferecer.
Esperar que o outro abrace teus sonhos, entenda seus anseios e acalme teus medos.
Será que o amor só acertou na porta dos outros?

E será que ainda dá para recuperar aquele fio que deixamos escapar do novelo de lã?
Enrolar a linha bonitinha do jeito que foi um dia?
E será que adianta mudar? Será que existe um outro perfeito?

Será que existe o cara? Aquele que é homem, e é sensível.
Que brinca com os filhos, mas ajuda nas tarefas da casa?
Aquele que te inspira ir sempre além? Aquele com que se queira viver para sempre?

Ou será que pra lá do muro, tudo é igual?
E não saberíamos ser melhor para o outro?
Ou pior, será que o outro é somente um reflexo de tudo que você também não é?

...

 "40 dias no espaço, em algum planeta deserto,
talvez de lá eu consiga voltar a ver o que eu não vejo de perto"


(40 Dias no Espaço - Leoni)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A nova versão do Homem de Aço

Sem todo escotismo dos filmes antigos, nova saga de Superman promete fortes emoções


Assistimos ontem ao tão esperado filme “O Homem de Aço”, passei mais de um ano ouvindo meu marido falar a respeito dos spoilers do filme e a ansiedade em vê-lo na tela era grande. Como seria contada a história dessa vez? Sabíamos que o Superman doce interpretado na série Lois and Clark e nas telonas por Christopher Reeve provavelmente não seria o Homem de Aço da vez.

Nos trailers lançados na rede nos últimos meses já podia-se antecipar os efeitos especiais impecáveis e que este seria um filme totalmente de ação e não somente do Superman escoteiro a que estávamos acostumados.

Mas, ontem no escurinho do cinema o que vimos foi mais. Efeitos sonoros de fazer o coração acelerar junto, a sensação real da velocidade do voo do Superman que só líamos nos quadrinhos e nunca conseguiram projetar nos filmes e uma Lois Lane interpretada perfeitamente. A interpretação de Amy Adams foi de colocar embaixo do tapete a última intérprete. A crítica chegou a lançar rumores que a participação da jornalista Lane seria curta e sem muito sal. Não foi o que vimos na tela. Lois Lane roubou a cena, o olhar apaixonado no meio da coragem sem noção da jornalista.

Muita ação, uma Metrópolis destruída e esse Superman foi uma total  inversão. Para os fãs de Smallville uma confusão total da história. Talvez outros, assim como eu não gostaram do uniforme com tom futurista que Clark usou, e desse tom de menino rebelde perdido de Kripton que vimos. Críticas? Sim, faltou a leveza do final do filme. A piada. Mas, para os que criticaram o final devo dizer, foi lindo!

Ainda não podemos esquecer de citar o General Zod, que foi perfeitamente interpretado e recriado neste longa. Me lembrou muito o Zod que víamos em Smallville e depois de passado o susto desse Superman denso e uma certa frustração de não ter visto a história de paixão melada que estávamos acostumados, admito que esta versão da história é melhor. Promete mais. E pronto, agora queremos spoilers de Homem de Aço 2... será que demora?!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Memórias



















E depois de tantas voltas, reencontrar a essência. Aquilo que nos move em frente, aquilo que nos faz crer e lutar. A pergunta que nunca cala, a dor, para onde vamos?
Onde vamos parar? E o que restará? Palavras, memórias, palavras transformadas em memórias. Um pedaço de mim que só o papel pode ter. Que só quem se dispuser em ler conhecerá.
A memória dos filhos, quero tê-los mais, pra viver mais além da minha própria vida. Para neles eternizar. Egoísmo? Excentricidade? Querer fugir da ideia da morte, se eternizando na vida dos outros, parte minha.
Meu sangue, meu olhar, a cor dos meus cabelos, dos meus olhos, minha teimosia, meus trejeitos.
E tudo melhorado, misturado com meu par, com a outra metade. Mais alta, mais loira, mais bonita.
Não, não são palavras ao vento somente. São sementes, são histórias, memórias. Só memórias. Memórias de um dia. De uma gestação. Duas. Um parto. Dois. Um casamento. Vida a dois. A quatro.
Amor sem fim, que vai além da vida. Transcende o corpo. Cresce e vive em outros dois corpos. Pequenos e frágeis, que vamos moldando.
Na esperança de serem memórias mais bonitas de nós mesmos.
De serem mais felizes na infância.
De serem adultos, que ainda não somos.
Eterna infância na memória dos amores familiares não vividos.
Eternizados em memórias de textos curtos.
Vividos na maternidade. Amor que damos.
E tudo são memórias.
Confusos, evasivos, com falhas.
Somente memórias.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Filha, um sonho



Falta pouco mais de um mês e meio para comemorarmos o 1º ano de vida da nossa pequena Júlia. A menina dos meus sonhos. Descrita neste blog há muito tempo, antes mesmo da vinda do Bernardo.
Sinto borboletas no estômago com os preparativos para esta comemoração, não lembro quando foi a última vez que me senti assim... talvez tenha sido enquanto arrumava o enxoval dela, as malas da maternidade ou preparava o Chá de Bebê Julino da pequena.
É completamente diferente de todas as festas que já preparei pro Bernardo, os temas eram sempre escolhidos pelo Caio e apoiados veemente pelo pequeno. Uma viagem a cada ano pelo mundo dos super-heróis da DC Comics. Agora é diferente. Meu mundo esta cor-de-rosa.
São balões, flores, rosas, vestidos, um sol diferente. Um perfume no ar.
A minha pequena não é bem a menina que eu havia sonhado, delicada, cheia de não me toques, doce e angelical. A Júlia é terrivel, curiosa, quer saber de tudo, mexer em tudo, experimentar tudo o que puder alcançar com suas pequenas mãozinhas.
Mas, nada disso a torna menos especial, ao contrário. Toda essa personalidade dela a torna ainda mais linda, cativante e envolvente. Ela me destrói com um sorriso de canto nos lábios. Os lábios de uma mocinha de bochechas rosadas.
Cuidar, organizar e fazer muitas das coisas que estarão na festa dela tem um sabor muito doce. Dá vontade de ser super mãe, de saber sozinha decorar, escrever, embalar, recortar, encher balões, se pudesse acho que até a mesa construiria sozinha... tudo para que um dia minha princesa olhe e saiba que fui eu, quem pessoalmente, cuidou de cada detalhe minimo desse dia.
Essa festa que preparamos, de fato será muito mais nossa (minha e o do Caio), do que da Júlia. Porque é a festa de comemoração de um sonho que palpitou muitos anos em nossos corações e que enfim demos a vida.

Contagem regressiva para esse dia!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mãe...




Demorei tanto para escrever sobre isso, nem sei ao certo se realmente estou pronta.
Escrever e encarar é tornar real. E dói.
A vontade é voltar no tempo, nunca ter ido para longe, nunca ter lhe decepcionado, lhe feito sofrer. Ter obedecido sempre, ter ajudado mais, ter estado mais presente. Ter lhe dado mais ouvidos.
Ter te abraçado mais uma vez. Na lembrança o último tchau, o último beijo e suas mãos já brancas demais, frias demais, pro calor que você sempre nos transmitiu.
Seu último pedido – Cuida do Bê, cuida da Júlia.
Cuida do Bê.
Queria ter levado ele ao hospital, mas não era permitido. Queria ter lhe permitido abraçá-lo a última vez.
Ah mãe... queria tanto ter –lhe aqui mais algumas horas.
Não dá pra entrar no seu quarto sem deitar ao seu lado para ver TV. Não dá para entrar na sala sem sentir seu cheiro ou mesmo no seu banheiro.
Não dá para não esperar ouvir o som da sua voz, aquele comentário, aquela palavra que só viria de ti.
Quem vai estar comigo no parto agora? Se era você quem andava atrás de mim pela casa nas vésperas do Bernardo nascer. E quem vai trazer o chá com bolacha e se preocupar comigo?
Mãe, quem vai fazer sopa de agnholini no inverno? E chá de erva mate aos sábados?
Para quem eu vou correr, quando o mundo me der as costas?
Mããe... quem vai segurar as pontas quando tudo desabar? E quem vai decidir o que fazer no Natal e Ano Novo?
Como vamos comemorar qualquer coisa daqui por diante, se era você nosso alicerce para tudo?
Quem eu vou chamar de mãe? Quem vai brigar por mim com unhas e dentes até contra mim mesma? Se teu amor nunca vai ser igualado??
Talvez eu seja egoísta demais, pensando somente na falta que me faz. Não pense que não considero tua dor, e sim, não queríamos lhe ver sofrer mais. Você foi tão forte, tão brava, tão guerreira.
Sei que ao te ver no hospital, entreguei nas mãos de Deus para que Ele fizesse a vontade d’Ele, que fizesse o que fosse melhor para ti. Mas, no fundo queríamos que fosse eternas, porque parece que foste tão cedo.
Sei, sei que foram 70 árduos anos, um casamento de quase 53 anos, 10 filhos, 9 netos, uma vida de trabalho e dedicação a família. Mas, é justamente por toda essa dedicação que ficou todo esse vazio. Éramos no fundo todos dependentes de ti, da tua força, do teu exemplo e isso nos movia em frente. Agora pela primeira vez, mesmo todos adultos temos que andar sozinhos. E nem o pai sabe fazer isso.
Consola saber que tudo isso te levou para um lugar lindo, sei que não mereces menos que o céu e que lá tens trabalho também, não és de ficar parada, não é mesmo?
Deves estar ajudando e encontrando muita gente querida.
Olha por nós, para eu não deixar de acordar a noite com a sensação de que ainda velas meu sono.