domingo, 6 de março de 2016

O que fica quando você vai

A casa parece vazia ao mesmo passo que está do jeito que eu sempre quis. Não tem xícaras espalhadas, nem calçados, nem o açúcar esquecido em cima da pia.
A cama está grande, mas não sinto mais a falta do abraço que me negavas toda madrugada. Sua cadeira permanece abandonada no canto da sala. Não preciso entrar em acordo para que as crianças durmam "só essa noite" no nosso quarto. Meu quarto agora.
Sobra espaço no guarda-roupa e mesmo com outras prateleiras abarrotadas não tive ânimo de ocupar teu espaço.
O fim de semana parece longo, fica sem sentido e me sinto só ao mesmo passo que me sinto bem.
Já acertei a rotina sem você, na verdade você só estava aqui. Não participava.
O sábado a noite ficou estranho, assisti nossos programas preferidos sozinha e faltou teus comentários, você para partilhar a risada.
Tuas fotos pela casa permanecem e cada vez que bato os olhos nelas sinto uma pontada de dor. Aonde foi parar todo aquele amor que já sentimos?
Faltam teus abraços. Ou apenas faltam abraços? Falta tua presença ou apenas falta uma presença qualquer?
Vai existir outro alguém a fincar raízes? Vai existir mais alguém a quem eu possa mostrar como sou sem medo?
Não sei se falta você ou falta aprender a conviver comigo mesma depois de tanto tempo sendo tudo para você.
Desaprendi a viver sozinha. Mesmo estando acompanhada agora. A rotina não pesa, o cuidado sozinho às crianças também não, porque tudo isso já era assim mesmo quando estavas aqui.
Pesa a falta de atenção, a falta de carinho, a falta de amor. E essa falta está presente há tanto tempo que parece sufocar agora. Pesa o medo de me entregar as minhas escolhas. Pesa o receio de jogar fora tudo que construí ao seu lado. Pesa o medo. Pesa o medo. Pesa ao mesmo passo que me jogo na contra mão e quero tudo isso. Podíamos ter vivido um grande amor. Talvez vivemos. E acabou. Se é que amor acaba.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Gravura



Não foram muitas as vezes em que tive a oportunidade de caminhar pela Beira Rio, mas sempre que penso em Itajaí me vêm a mente a mesma cena. Calçada da Beira Rio, o som da água, o vento e os barquinhos na encosta flutuando com o balanço da maré. O vento como a música que embala o barco, o par perfeito para o mar.
Meio dia, minutos vagos e o sol a pino refletido na água que balança os barquinhos da encosta. Final de tarde, pôr do sol e os raios refletidos na água, os mesmos barcos, o mesmo balanço. O negro da noite interrompido pelos raios do luar e mais uma vez todos os barquinhos em sintonia navegando ancorados no mesmo mar.
E para cada hora, uma música. Final do dia, os barquinhos parecem dançar Temporada das Flores, de Leoni, ao anoitecer os vejo sibilar Noites com Sol ao som de Flávio Venturini. No almoço não precisa de canção. As gaivotas planando na água dão o som necessário à paisagem.
Poderia escrever sobre os cheiros do Mercado Público, sobre o movimento da Hercílio Luz ou sobre todas as luzes da Matriz. Sobre o silêncio da Praça da Igrejinha em que um dia sonhei casar. Mas, tudo é pouco, porque o quadro que minha memória guarda para a palavra Itajaí são os barquinhos navegando na Beira Rio.
Dependendo do dia eu poderia cantarolar até Farol dos Afogados, se estivesse triste. Mas, no fundo só penso em paixão quando estou ali. Quando por lá minha imaginação passeia parece que todos os dias vagam naquelas calçadas. Parece que moro nesta cidade todas as horas. Parece que anseio em estar aqui e por isso valem todos os sacrifícios.
Ali no leste o sol nasce todas as manhãs e ilumina meus barquinhos. Cada barco um sonho, uma sensação, um friozinho na barriga. Cada balanço, um passo. E toda a cidade cabe nesta gravura.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sobressaltos

Quero a minha volta pessoas que somem, multipliquem e se dividam. Não quero mais quem me faz mal, quem me obriga a ficar distante do que gosto e a quem não consigo me entregar por inteiro.
Quero alguém que tenha olhos mais bondosos para o que há em volta. Alguém que enxergue o que há em volta, além de si mesmo.
Alguém que se sacrifique na mesma medida, mas não dispute os resultados, e sim se felicite por ter conseguido ou por me ajudar a conseguir.
Quero alguém que não me deixe com medos e que não use meus fantasmas para me diminuir. Quero alguém que se permita a dividir os seus fantasmas. Que acredite em mim e em quem eu possa acreditar.
Não gosto, mas quero um pouco de sobressaltos. Paixão. Quero um amor que não se acomode, que não arranje tantas desculpas e nem tenha preguiça de amar.
Eu quero viver um pouquinho mais. Quero alguém que me faça sentir mulher, antes de mãe, esposa, amiga.
Quero alguém que eu sinta orgulho de dizer "é meu". Estamos juntos. E que de fato eu sinta que estamos juntos para o que der e vier.
Quero dividir fantasias sem receios, sem ser criticada. Quero que se juntos tudo seja permitido para sermos felizes. Não quero me sentir só estando presa. Não quero estando junto me sentir só. E não quero prender.
Quero ter certeza que somos um para o outro. Quero ver mais amor nas atitudes do outro, mesmo que nunca saiam de sua boca as três palavrinhas mágicas "eu amo você".
Quero que fiques porque não quero mais me sentir só. Quero calmaria no sobressalto. Quero que os anos passem e nem o tesão, nem o respeito diminuam.
Quero sentir mais que gratidão. Quero sobressalto.
Todo mundo devia querer.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O que não ousamos dizer



Já não escrevo. Escrever é verbalizar sentimentos e opiniões que nem sempre pedem vida. Embora fiquem pulsando dentro da gente.
São como formiguinhas na mente que ficam brincando com a nossa paz para adoçar a rotina. Ou nos sugá-los dela.
Mas, se a gente escreve corre o risco de ecoar aos montes aquilo que só nos faz bem no campo da imaginação.
Então a gente brinca que escreve para fingir para as formiguinhas que elas conseguiram seu propósito. E respira aliviado por saber que não cedeu a vontade do poeta adormecido que vive a espreita de nossas escolhas.
Ufa. Conseguimos. Ludibriamos a nós mesmos. Enganados e convencidos de que não foi dito mais que deveria. E o que importa segue velado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O que já não somos


Será que já está tudo tão errado que qualquer "fio de cabelo" é o fim?
Será que só podemos nos dar bem da meia-noite às oito e meia da manhã?

...

Será que já nos importamos tão pouco um com o outro que nada faz sentido?
Que não dá pra ceder nem por um instante?

Onde nos perdemos tanto?
O que fizemos de errado para apagar até os momentos felizes?

...


Afinal, quando foi que deixamos de sonhar juntos?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

...








      E eu espero depois das seis, pelo começo do mês. Eu espero o fim de semana e o começo da sexta-feira. Eu espero demais pelo que não vem. E lá vou eu novamente, toda imaginação. E passado tanto tempo percebo que amor é melhor do que paixão. Amor é calmaria. Sossego e travesseiro. Paixão é cansaço, sobressalto e solidão. O primeiro lhe traz calma, o segundo te invade como um furacão.

domingo, 19 de outubro de 2014

Do lado de cá...




Sonhei outra noite com um amor, daqueles que fazem os olhos brilhar e o coração bater mais forte.
Amor com aroma de café.
Daqueles que nos fazem ter medo de nos queimar.
A vida tem passado tão rápido e tem seguido por caminhos muitos diferentes daqueles que imaginei.

Eu sei, às vezes esperamos demais do outro.
É muito difícil perceber que depois do "Felizes para Sempre" há vida.
Há muita vida.
E aí o conto de fadas acaba.

É complicado demais ser dois, sendo um. Querer do outro o que ele não é capaz de oferecer.
Esperar que o outro abrace teus sonhos, entenda seus anseios e acalme teus medos.
Será que o amor só acertou na porta dos outros?

E será que ainda dá para recuperar aquele fio que deixamos escapar do novelo de lã?
Enrolar a linha bonitinha do jeito que foi um dia?
E será que adianta mudar? Será que existe um outro perfeito?

Será que existe o cara? Aquele que é homem, e é sensível.
Que brinca com os filhos, mas ajuda nas tarefas da casa?
Aquele que te inspira ir sempre além? Aquele com que se queira viver para sempre?

Ou será que pra lá do muro, tudo é igual?
E não saberíamos ser melhor para o outro?
Ou pior, será que o outro é somente um reflexo de tudo que você também não é?

...

 "40 dias no espaço, em algum planeta deserto,
talvez de lá eu consiga voltar a ver o que eu não vejo de perto"


(40 Dias no Espaço - Leoni)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A nova versão do Homem de Aço

Sem todo escotismo dos filmes antigos, nova saga de Superman promete fortes emoções


Assistimos ontem ao tão esperado filme “O Homem de Aço”, passei mais de um ano ouvindo meu marido falar a respeito dos spoilers do filme e a ansiedade em vê-lo na tela era grande. Como seria contada a história dessa vez? Sabíamos que o Superman doce interpretado na série Lois and Clark e nas telonas por Christopher Reeve provavelmente não seria o Homem de Aço da vez.

Nos trailers lançados na rede nos últimos meses já podia-se antecipar os efeitos especiais impecáveis e que este seria um filme totalmente de ação e não somente do Superman escoteiro a que estávamos acostumados.

Mas, ontem no escurinho do cinema o que vimos foi mais. Efeitos sonoros de fazer o coração acelerar junto, a sensação real da velocidade do voo do Superman que só líamos nos quadrinhos e nunca conseguiram projetar nos filmes e uma Lois Lane interpretada perfeitamente. A interpretação de Amy Adams foi de colocar embaixo do tapete a última intérprete. A crítica chegou a lançar rumores que a participação da jornalista Lane seria curta e sem muito sal. Não foi o que vimos na tela. Lois Lane roubou a cena, o olhar apaixonado no meio da coragem sem noção da jornalista.

Muita ação, uma Metrópolis destruída e esse Superman foi uma total  inversão. Para os fãs de Smallville uma confusão total da história. Talvez outros, assim como eu não gostaram do uniforme com tom futurista que Clark usou, e desse tom de menino rebelde perdido de Kripton que vimos. Críticas? Sim, faltou a leveza do final do filme. A piada. Mas, para os que criticaram o final devo dizer, foi lindo!

Ainda não podemos esquecer de citar o General Zod, que foi perfeitamente interpretado e recriado neste longa. Me lembrou muito o Zod que víamos em Smallville e depois de passado o susto desse Superman denso e uma certa frustração de não ter visto a história de paixão melada que estávamos acostumados, admito que esta versão da história é melhor. Promete mais. E pronto, agora queremos spoilers de Homem de Aço 2... será que demora?!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Memórias



















E depois de tantas voltas, reencontrar a essência. Aquilo que nos move em frente, aquilo que nos faz crer e lutar. A pergunta que nunca cala, a dor, para onde vamos?
Onde vamos parar? E o que restará? Palavras, memórias, palavras transformadas em memórias. Um pedaço de mim que só o papel pode ter. Que só quem se dispuser em ler conhecerá.
A memória dos filhos, quero tê-los mais, pra viver mais além da minha própria vida. Para neles eternizar. Egoísmo? Excentricidade? Querer fugir da ideia da morte, se eternizando na vida dos outros, parte minha.
Meu sangue, meu olhar, a cor dos meus cabelos, dos meus olhos, minha teimosia, meus trejeitos.
E tudo melhorado, misturado com meu par, com a outra metade. Mais alta, mais loira, mais bonita.
Não, não são palavras ao vento somente. São sementes, são histórias, memórias. Só memórias. Memórias de um dia. De uma gestação. Duas. Um parto. Dois. Um casamento. Vida a dois. A quatro.
Amor sem fim, que vai além da vida. Transcende o corpo. Cresce e vive em outros dois corpos. Pequenos e frágeis, que vamos moldando.
Na esperança de serem memórias mais bonitas de nós mesmos.
De serem mais felizes na infância.
De serem adultos, que ainda não somos.
Eterna infância na memória dos amores familiares não vividos.
Eternizados em memórias de textos curtos.
Vividos na maternidade. Amor que damos.
E tudo são memórias.
Confusos, evasivos, com falhas.
Somente memórias.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Filha, um sonho



Falta pouco mais de um mês e meio para comemorarmos o 1º ano de vida da nossa pequena Júlia. A menina dos meus sonhos. Descrita neste blog há muito tempo, antes mesmo da vinda do Bernardo.
Sinto borboletas no estômago com os preparativos para esta comemoração, não lembro quando foi a última vez que me senti assim... talvez tenha sido enquanto arrumava o enxoval dela, as malas da maternidade ou preparava o Chá de Bebê Julino da pequena.
É completamente diferente de todas as festas que já preparei pro Bernardo, os temas eram sempre escolhidos pelo Caio e apoiados veemente pelo pequeno. Uma viagem a cada ano pelo mundo dos super-heróis da DC Comics. Agora é diferente. Meu mundo esta cor-de-rosa.
São balões, flores, rosas, vestidos, um sol diferente. Um perfume no ar.
A minha pequena não é bem a menina que eu havia sonhado, delicada, cheia de não me toques, doce e angelical. A Júlia é terrivel, curiosa, quer saber de tudo, mexer em tudo, experimentar tudo o que puder alcançar com suas pequenas mãozinhas.
Mas, nada disso a torna menos especial, ao contrário. Toda essa personalidade dela a torna ainda mais linda, cativante e envolvente. Ela me destrói com um sorriso de canto nos lábios. Os lábios de uma mocinha de bochechas rosadas.
Cuidar, organizar e fazer muitas das coisas que estarão na festa dela tem um sabor muito doce. Dá vontade de ser super mãe, de saber sozinha decorar, escrever, embalar, recortar, encher balões, se pudesse acho que até a mesa construiria sozinha... tudo para que um dia minha princesa olhe e saiba que fui eu, quem pessoalmente, cuidou de cada detalhe minimo desse dia.
Essa festa que preparamos, de fato será muito mais nossa (minha e o do Caio), do que da Júlia. Porque é a festa de comemoração de um sonho que palpitou muitos anos em nossos corações e que enfim demos a vida.

Contagem regressiva para esse dia!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mãe...




Demorei tanto para escrever sobre isso, nem sei ao certo se realmente estou pronta.
Escrever e encarar é tornar real. E dói.
A vontade é voltar no tempo, nunca ter ido para longe, nunca ter lhe decepcionado, lhe feito sofrer. Ter obedecido sempre, ter ajudado mais, ter estado mais presente. Ter lhe dado mais ouvidos.
Ter te abraçado mais uma vez. Na lembrança o último tchau, o último beijo e suas mãos já brancas demais, frias demais, pro calor que você sempre nos transmitiu.
Seu último pedido – Cuida do Bê, cuida da Júlia.
Cuida do Bê.
Queria ter levado ele ao hospital, mas não era permitido. Queria ter lhe permitido abraçá-lo a última vez.
Ah mãe... queria tanto ter –lhe aqui mais algumas horas.
Não dá pra entrar no seu quarto sem deitar ao seu lado para ver TV. Não dá para entrar na sala sem sentir seu cheiro ou mesmo no seu banheiro.
Não dá para não esperar ouvir o som da sua voz, aquele comentário, aquela palavra que só viria de ti.
Quem vai estar comigo no parto agora? Se era você quem andava atrás de mim pela casa nas vésperas do Bernardo nascer. E quem vai trazer o chá com bolacha e se preocupar comigo?
Mãe, quem vai fazer sopa de agnholini no inverno? E chá de erva mate aos sábados?
Para quem eu vou correr, quando o mundo me der as costas?
Mããe... quem vai segurar as pontas quando tudo desabar? E quem vai decidir o que fazer no Natal e Ano Novo?
Como vamos comemorar qualquer coisa daqui por diante, se era você nosso alicerce para tudo?
Quem eu vou chamar de mãe? Quem vai brigar por mim com unhas e dentes até contra mim mesma? Se teu amor nunca vai ser igualado??
Talvez eu seja egoísta demais, pensando somente na falta que me faz. Não pense que não considero tua dor, e sim, não queríamos lhe ver sofrer mais. Você foi tão forte, tão brava, tão guerreira.
Sei que ao te ver no hospital, entreguei nas mãos de Deus para que Ele fizesse a vontade d’Ele, que fizesse o que fosse melhor para ti. Mas, no fundo queríamos que fosse eternas, porque parece que foste tão cedo.
Sei, sei que foram 70 árduos anos, um casamento de quase 53 anos, 10 filhos, 9 netos, uma vida de trabalho e dedicação a família. Mas, é justamente por toda essa dedicação que ficou todo esse vazio. Éramos no fundo todos dependentes de ti, da tua força, do teu exemplo e isso nos movia em frente. Agora pela primeira vez, mesmo todos adultos temos que andar sozinhos. E nem o pai sabe fazer isso.
Consola saber que tudo isso te levou para um lugar lindo, sei que não mereces menos que o céu e que lá tens trabalho também, não és de ficar parada, não é mesmo?
Deves estar ajudando e encontrando muita gente querida.
Olha por nós, para eu não deixar de acordar a noite com a sensação de que ainda velas meu sono.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Natal, Ano Novo e ainda aniversário, assim tudo junto em poucos dias torna inevitável fazer aquele balanço de consciência – para saber se aquele ano que fica para trás realmente valeu a pena.

2011 foi de muitas emoções contraditórias, sucesso no trabalho, mas de perdas significativas. Logo no inicio do ano perdi minha mãe. Deus a meu ver a chamou cedo demais, não deu tempo dela conhecer a Júlia, mas ela já sabia que seria a Júlia, mesmo sem a confirmação da ultrassom.

Altos e baixos financeiros, já em fevereiro sofremos um acidente de carro que causou a perca total do nosso carro, depois muita enrolação e incomodação com o seguro terminamos o ano de carro. Em janeiro de 2011 morávamos na Batcaverna, mudamos três vezes até encontrarmos um lugar legal para a Júlia nascer, parece que foi a 1ª casa de verdade que tivemos e foi pertinho da sogra... Mas, mais do que era esperado (e eu achava inacreditável que acontecesse) comemoramos as festas na casa nova, nosso tão sonhado apartamento. O compramos na planta e parecia um sonho distante de se concretizar.

Teve o nascimento da Júlia, uma gravidez inesquecível, um parto mais ainda. Depois de muita angústia sobre como seria o parto, optei pelo parto normal. E contra todos, pois de fato ninguém acreditava que eu suportaria – eis que suportei. O último mês da gestação foi de repouso e muita, muita paciência. Cólicas intermináveis, que por vezes eu rogava que nascesse logo. Mas, ela veio no tempo certo, apenas uma semana adiantada. 8 horas de contrações em casa até que se rompeu a bolsa, fomos para o hospital e foram mais 13 horas até o parto. Quase 24 horas naquela expectativa e então eu tive o momento mais gratificante da minha vida, enfim, senti que ali me tornei mulher. Não foi na concepção do Bê ou da Júlia, não foi ao casar, foi ali no momento do parto normal, ali que me senti inteira, completa, uma mulher de verdade. E não tem dor no mundo que roube a glória desse momento, conceber de verdade, parir. E se eu pudesse voltaria no tempo e teria o Bernardo também assim. Parto normal. Parto natural. A vida fluindo de acordo com a vontade de Deus.

E foi nos momentos em que cansei de brigar com a vida, que Deus se manifestou e tudo se resolveu. Não importa o quanto tivessem sido meus esforços, foi a vontade d’Ele que no final prevaleceu.

E 2011 teve esse saldo de vida. Vida de verdade.

Para quem no passado julgou minhas escolhas erradas, incertas e volúveis, hoje minha vida é a prova de que as escolhas foram acertadas. Se eu tivesse ido por outros caminhos, quem sabe terminado a faculdade, eu não teria hoje comigo as pessoas que mais me fazem feliz. Então fica a minha felicidade em dizer: eu acertei.

E não podia esquecer ainda que amanhã é aniver do marido – meu companheiro nisso tudo e em muito mais, sem ele nada disso seria real, e muito menos bom.

Amor, sei que brigamos muito neste ano que passou né? Mas, aprendemos e concordamos que geniosos do jeito que somos é brigando e discordando que no fim nos entendemos e você tem me ensinado muito sobre isso. Te amo demais, obrigada por ter tornado aquele quadro branco que você encontrou nesta pintura linda!

Feliz aniversário e que em 2012 a vida nos proporcione isso: mais altos e baixos, porque foi sempre passando por eles que crescemos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


Depois de tantos meses sem escrever nada direito e levando em consideração tudo que quero descrever agora me limito apenas a uma frase:

Sim, o poeta só escreve na dor.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Conselho...

Nada ao acaso lembrei-me de um conselho que meu pai, num momento em que realmente foi pai, me disse.
Aos 16 anos, ele me disse que eu poderia escolher entre um dia escolher, ou ser escolhida.
Sempre pensei nisso nos momentos absurdos, mas sempre achei que não era tão radical assim.

Hoje sei que ele estava certo, eu fiz minhas escolhas, e não as julgo erradas, mas condizentes com a minha realidade. No entanto, hoje também colho as consequências por não ter dado ouvidos aquele conselho.


...Prova, de quem nem tudo foi tão ruim, embora quase nada perto dele tenha sido realmente bom.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um ano, por escolha

Casamento, é uma história engraçada de duas pessoas que acreditam demais uma na outra.
Há um ano, quando ainda curtia os emocionantes momentos de preparativos para a festa, a prova do vestido, as decisões de usar ou não buque, a cor do sapato... Não, eu de fato não imaginava o que estava por vir.
A mudança de vida esperada, a casa da sogra, o abraço de toda noite, ele para acordar e fazer mamadeira. Quanta novidade! Ter alguém ali quase 24hrs, para me ouvir, apoiar, mostrar caminhos, sonhar e planejar. Alguém que o Bê poderia chamar de pai a vida toda e que trocaria as fraldas dele por mim.

Então veio a vontade de aumentar a família, a decisão de não retormar a faculdade, a descoberta de dois cistos que impediam o primeiro desejo. As brigas com a sogra, a mania dela de levar café pro marido, pro filho e pra nora na cama e querer lavar as nossas roupas.
Mais em frente a decisão de comprar um apartamento e de fato a alegria de comprá-lo. Depois, trocar a moto por um carro, e adquirir o carro e deixar a moto. Finalmente em 9 meses (como tudo em minha vida...), a decisão de pagar aluguel. Encontramos a nossa casa, e uma proprietária chata, que se metia com a conta de luz que nós pagavamos, com as garrafas de água que jogavamos fora.
Encontramos a segunda casa, e aí sim um lar. O quartinho do Bê, um liquidificador novo e um ferro de passar roupa. A divisão dos serviços da casa e depois de comer mal durante quase três meses, a opção de que cozinhar não é uma opção para nós.

Foram 300 e tantos dias de emoções constantes e decisões.
Das mais simples as mais complexas, mas o importante é que para nós dois outra decisão foi constante, foi a nossa escolha de todos os dias... a de estar ao lado do outro.
Mesmo, quando tivemos problemas financeiros, mesmo quando tivemos vontade de nos separar um da família do outro.
Estivemos ali, um para o outro todos os dias, em todos os momentos, nos de amor, nos de raiva, nos de conflito, nos de imperfeição e todos estes construiram essa base sólida - que chamamos de casamento.

Marido, isso é para ti, porque acreditou em mim como ninguém mais, porque lutou por mim como ninguém mais, porque me tomou para ti - nos tomou para ti, por me escolher todos esses dias... Teamo! Desse jeito mesmo, do avesso, pois só sei amar desse jeito - meu jeito.
E agora virão outros anos, mais uma festa de casamento - a do matrimônio. Virá mais uma afilhada, outros problemas. Mas, não importa, porque sei que estaremos ali.

....

Só não te perdoô de uma coisa - teres feito do meu Bê um colorado... e assim o tornaste mais teu, que meu...
=)
Têamo!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O amor assim tão simples e tão brusco.
Tão complexo na sua simplicidade.
Amor assim, tão fugitivo e tão acessível.

Seremos felizes na Temporada das Flores?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quero saber do mundo, muito mais.
Quero todos os porquês, os sinais, os sintomas, os inversos, o sentido, o irreal.
Quero ver, ouvir, falar.

Quero mais.

Quero saber do mundo de um tudo.
Quero saber de tudo.
Muito mais.

domingo, 28 de março de 2010

Intensidade...

Tem poesia pulsando em minhas veias,
tem uma saudade intensa,
vontades interditadas.

E na ausência o encontro das possibilidades,
e o desânimo, sem não faz sentido.
Toda a saudade.
Toda a rotina.

E aquela velha vontade,
A eterna insatisfação, esse lado Byron, esse lado negro do sentir.
"A maldição"...

"A vida é mais que um mero poema" (Rosa de Saron)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pelos seis...


Seis meses? Meio ano apenas de muitos que virão.Mas, quem somos nós hoje aos seis?
E quem éramos antes?
Eu, tão só, ele ali, e de repente nós e todo o tumulto que contempla a vida a dois.
O excesso de responsabilidades, o peso da rotina, as dificuldades. Já foram tantos os momentos, nestas 24hrs que somos um. E já foram tantas as 24hrs.
E formaram-se os meses, o meio. A metade do percurso. De um milímetro do que deve ser percorrido.
Os sonhos, os ideais conquistados. Nosso apartamento em construção, nosso carro, estamos quase lá. A filha... a filha que todos os meses acho que veio, e descobrimos que não... “só mais um pouco Schali”...

Sim, as brigas, a sogra, o filho, as manhas, as contas... Tudo que já pesou.
Mas, a calmaria, o fim de cada briga no aconchego do abraço do outro, sem o medo de dizer “desculpa, eu extrapolei” ou simplesmente “não importa, eu te amo”.
E enfim fomos feito, esculpidos assim um pelo outro, uma forma que se encaixa, ou pecinhas de lego...
A parceria incondicional.
A força e a delicadeza.
O medo e a coragem.
A paciência e a pressa.
O atraso e a correria.
A calmaria e a ansiedade.
A coceira e os grilos.
Os bichos e o chinelo.
As mamadeiras da madrugada.
Os banhos.
Os sorvetes com Coca-Cola.
Os domingos de cama.
Os sábados também.
Os filmes, as séries, os risos, os choros, o cansaço e o eterno descanso do abraço.

De tudo isso e mais um pouco,
De quase nada ainda,
Somos feitos.
E de tudo que está por vir.

Aos seis meses do nosso casamento, da nossa sociedade!

segunda-feira, 15 de março de 2010

A minha paixão - ela...




Palavras me traduzem de um jeito que eu nem sei,
Elas dizem tudo aquilo que me parece incerto
Quando saem delas é certeza
Elas falam por mim e dizem por si

São elas que me tornam real
Vivente, vivaz
Os anos passam, e por mais mudanças que haja, é nelas a minha fonte.

Eu me transformei, mas elas continuam ali sólidas, translúcidas e serenas.
Elas continuam falando por mim.
Continuam falando o que eu já nem pensava em dizer.

Somos feitos do que pensamos?
Ou o que pensamos é o que nos torna alguém?

As palavras são marcas no tempo
Marcas de almas que não vivem só
Almas inquietas, viajantes, passageiras do tempo e da realidade...

Palavras, a primeira prova do que somos
A forma que agimos e o que dizemos
A primeira prova de inteligência,
Aquilo que observamos, e dali extraímos aprendizados.

Eu? Eterna amante delas...